
Essa nostalgia me atormenta a cada dia que passa.
Parece que com o decorrer do tempo,as estações mudam instantaneamente e com elas se vão uma parte do sentido daquilo que um dia foi tudo para nós.
O natal parece ser frango assado,nozes e presentes.
O ano novo se resume em álcool,amigos e pseudo-independência.
Carnaval é salvador,micareta e muitas jovens engravidando.
A páscoa chega com o merchan dos ovos onde cada marca tenta surpreender,porém o chocolate é sempre o mesmo.
E sempre acaba na mesmiçe.
Cadê a graça do novo? Onde está escondido o prazeroso sorriso que as pessoas dão ao conseguirem o que querem?
Nada mais é inovador. Nada mais nos impressiona.
Tudo gira em torno do que nos entedia.
Até mesmo as pessoas não conseguem transparecer algo fora do comum no momento inapropiado para nos pegar de surpresa.
Entramos na era do comodismo,onde ninguém se importa com o que acontece ao seu redor.
Os segundos,minutos,horas,dias passam como ondas em um mar sutilmente esverdeado,que estão ali por estar... por obrigação da própia natureza.
Eu realmente queria poder mudar isso. Queria fazer as pessoas perceberem que a vida se manifestou e que eles não estão mais no controle.
Mas sou totalmente insignificante diante a grandeza do ego e falso arbítrio de cada um.
Sou uma mera mortal. Uma sonhadora.
E comigo levarei sempre essa idealização de algo que existe para ser inexistente.
Que se contradiz para tapear os suspiros dos insatisfeitos.
O grito silencioso dos inconformados.
O olhar penetrante e misterioso dos iracionais.
A respiração profunda e ofegante dos ignorantes.
O que será de um se ninguém faz juz ao seu própio todo?
De nada esse um será.
Porque por mais que eu gaste todos os meus esforços,que já me parecem inúteis,
a minha revolta irá apenas contra ela mesma.
E disso me cansei. De tentar ser sempre aquela consciência irritante dizendo o que julga ser coerente e justo para ela.
Por isso nada mais me surpreende.
As pessoas NÃO mudam.