
Hoje o ofuscante sol nasceu entre o gélido vento que soprava em minha janela, e desta, eu avistei o mais belo céu. Aquele céu que me deu a profunda certeza de que aquela era a minha hora. Então me levantei assustada, horrorizada, e fui ouvir a minha música. Aquela que guardava a tanto tempo, com todo o meu
anseio e desapego. E ao ouvir a bela melodia da música que eu mesma escrevi, sentia em minhas veias as ondas sonoras se propagando e formando em meu sangue as mais belas
sinfonias, que me
encheram de melancolia, a mais profunda e oriunda, na qual senti um certo descaso por fazer jus ao meu passado. Passado que hoje se faz mais presente do que nunca e se
impôs como uma forma
onipresente, me deixando recuada em minha
própria angustia. Clamei piedade quando o desesperado veio me abordar na minha calmaria pré-partida... justamente por não conseguir mais sintetizar o que era bom e o que era ruim, pois tudo se mescla em um só. E este
único é representado pelo o meu
coração. Aquele que pulsa e me comanda. A ultima
decisão que eu o deixei tomar foi esta. Na qual agora repudio os mais puros, sinceros e amorosos cortejos vindos de todos que amo e me entrego a estas notas, que a esta altura, já me dominaram. A vida nua e crua. A
maldição implícita como uma
benção divina pela qual nunca fui capaz de aceitar e, agora, a entrego... a quem quer que seja. Nesta minha despedida. Ida, vinda, partida. Sinto ter comprido o que me foi requisitado. Tentei dar o meu melhor a todos que viviam ao meu redor. Tentei mostrar o que era amar. Tentei multiplicar a felicidade. E agora, parto. Em paz. Deixando o meu sangue por tudo aquilo que acreditei me constituir durante todos esses anos.. esta sou eu,
Luize Melo, aceitando o meu
tão esperado destino. Adeus